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António Fidalgo




Avaliação, valia e valor

A ideia e a prática de uma auto-avaliação contínua adquiriram na Universidade da Beira Interior um lugar de destaque na vida académica. Provavelmente nenhuma outra universidade em Portugal terá um sistema de auto-avaliação mais intenso e completo. Por um lado, isso deve-se, inquestionavelmente e em grande medida, ao mérito pessoal de quem tem liderado o processo de avaliação interno. Por outro lado, constitui uma forte resposta a posteriori à impreparação e deficiências com que a UBI foi confrontada, há já alguns anos, nas primeiras avaliações externas que teve, por parte da Ordem dos Engenheiros e da Comissão de Avaliação Externa das Universidades.
Mas sendo a auto-avaliação um meio e não um fim, convém aferi-la, pelo menos de quando em vez, relativamente aos fins que visa. E o que a auto-avaliação de uma universidade tem de fazer é avaliar a qualidade do ensino e da investigação que se fazem na universidade, em ordem a melhorá-los. O fim, o objectivo, há que sublinhá-lo, é a melhoria do ensino e da investigação. E isto é muito importante, pois que, não sendo assim, a auto-avaliação seria um exercício inútil de auto-miragem, à semelhança de quem se visse ao espelho apenas para se ver, por prazer ou vício. Toda a avaliação, mas sobretudo a auto-avaliação, tem de visar a melhoria da qualidade.
Dito isto, entendida a auto-avaliação como um instrumento apenas da melhoria da qualidade e não como sinónimo de qualidade, há que distinguir entre o valor pedagógico e científico de uma instituição e a qualidade do seu sistema de auto-avaliação. Uma universidade pode ter muito valor, ser excelente no ensino e na investigação e não ter qualquer sistema de auto-avaliação, e sabe-se que é excelente no ensino pela qualidade dos seus licenciados e excelente na investigação pelo reconhecimento das publicações dos seus docentes. E, ao invés, uma universidade pode ter um sistema de auto-avaliação muito bem montado, e não ser boa, nem no ensino nem na investigação.
A primeira tarefa de quem trabalha na universidade é estudar, ensinar e investigar. Para o fazer bem todas as suas energias são poucas. É isto que qualquer processo de avaliação tem de ter muito em atenção. O valor a avaliar está na qualidade do ensino, em aulas bem dadas, programas bem feitos e actualizados, boas bibliografias, e na qualidade da investigação, em livros e artigos publicados. O fundamental está nisto. Tudo o que servir para isto está bem, tudo o que estorvar isto está mal. É que pode suceder que o afã de auto-avaliar prejudique o bom ensino e a boa investigação.


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