A Covilhã é a cidade com mais "pujança" comercial da Beira Interior
Iniciativas empresariais
Observatório estuda
criação de novas empresas

Um estudo inédito nos concelhos da Beira Interior identifica a criação de novas empresas. Segundo os dados obtidos pelo Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social da Universidade da Beira Interior (ODES) é na Covilhã e na Guarda que se regista maior actividade empresarial. Os 14 municípios abrangidos pelo estudo são ainda comparados com os indicadores da região Centro.


Por Eduardo Alves


A Covilhã é o município que lidera a criação de empresas. Um factor em destaque no mais recente trabalho do ODES, intitulado “Sectores Emergentes e Perfis Empresariais na Beira Interior”. O Observatório da UBI recolheu dados sobre os 14 municípios que formam a Beira Interior e cataloga-os tendo em conta a dinâmica empresarial. Segundo este organismo, no ano de 2003 foram criadas, em toda a região, 371 novas empresas. Um número que ganha destaque nos concelhos da Covilhã e da Guarda. Isto porque, nestas duas cidades surgiram “mais de metade das novas empresas”, referem José Pires Manso e Rosa Loureiro, autores do trabalho em análise. Na Covilhã surgiram, em 2003, 99 novas empresas, o que corresponde a 27 por cento do total de novas entidades criadas esse ano. A Guarda aparece com um total de 92 empresas, o que corresponde a 25 por cento do total. Na cauda dos 14 municípios aparecem Manteigas e Fornos de Algodres, com quatro e três empresas criadas, respectivamente. Estes dois municípios apresentam uma percentagem conjunta de dois por cento no total de novas empresas criadas na Beira Interior. Reportando estes dados para o quadro regional, no Centro do País, a Beira Interior contribuiu com cerca de oito por cento de novas empresas o que a nível nacional representa um total de um e meio por cento.



Sector terciário em força

Comércio e prestação de serviços são dois grandes pólos de apostas dos investidores

O trabalho agora tornado público pelo ODES faz também a radiografia aos sectores que receberam mais empresas. Comércio, Actividades Imobiliárias e serviços prestados às empresas lideram o ranking. Das “371 empresas criadas em 2003, mais de um terço – 34 por cento – pertencem ao sector do comércio”, afirmam os autores do estudo. Relativamente às actividades imobiliárias, aparecem com cerca de 17 por cento, enquanto que os serviços prestados às empresas assumem o terceiro lugar com uma cifra de 13 por cento.
Estes sectores apresentam uma forte comparação com a restante tendência verificada a nível nacional. As empresas criadas na Beira Interior “situam-se nas áreas privilegiadas de Portugal”, adiantam os responsáveis do ODES. O estudo de Pires Manso avança também com outro indicador “de grande importância”, segundo este docente da UBI.
Para Pires Manso, “com este estudo pode-se traçar o perfil empresarial futuro de cada um dos concelhos desta sub-região”, sublinha o catedrático da UBI.
Daí que, sendo a Covilhã, o concelho com maior dinâmica empresarial, será aqui também que sectores como o comércio, o alojamento e restauração e a construção “venham a ter maior incidência”. Por outro lado, e reportando-se ao caso de Fornos de Algodres, o concelho que registou o menor número de novas empresas, este estudo aponta a vertente do “alojamento e restauração para aquela zona da Beira Interior”. Conclusões baseadas no facto “de as empresas criadas em 2003 aparecerem já depois de outras tantas iniciadas anos antes, as quais ainda se encontram em funcionamento”, explicam os autores deste estudo.

Têxteis com menos adeptos

Uma das constatações deste estudo prende-se com a quebra da aposta empresarial no sector dos têxteis. Esta actividade com forte tradição na Beira Interior tem vindo a decrescer de ano para ano. O comércio e a prestação de serviços ganham terreno a este tipo de actividade empresarial. Pires Manso e Rosa Loureiro, autores deste trabalho, referem que “este facto deve-se, sobretudo, à crise que o sector têxtil e de confecções atravessa”. Com o aparecimento de novas áreas de comércio e de actividades económicas, “bem mais seguras, em termos de negócio, os empresários e investidores acabam por apostar nessas vertentes”, rematam os investigadores.
Quanto ao Parkurbis, “é de certo uma boa aposta”, contudo, “não se esperem muitos postos de trabalho”, sublinha Pires Manso. Até porque, a estrutura prende-se mais com o apoio à criação de novas empresas e à fomentação de ideias empreendedoras.