José Geraldes

Milhões de palavras


Mais um aniversário, mais um ano de vida, mais um momento de festa do NOTÍCIAS DA COVILHÃ. Mais milhões de palavras escritas, pois como diz Sophia de Mello Breyner, “o pior de todos os males seria a morte da palavra”.
E vamos continuar pela palavra o nosso combate. Com determinação, sabendo das dificuldades que possam surgir na curva da estrada. E que não são poucas.
O Padre António Vieira escreveu que “o jornalismo é o ofício mais arriscado que tem o género humano”. E quem anda por estes caminhos, sabe as dificuldades com que se debate. Mas também se trata de um trabalho exaltante. Não que queiramos ser heróis, mas pela notícia e pelo comentário construirmos o presente e antever o futuro.
Este objectivo concretiza-se dando voz aos que não têm voz. Defendendo o fraco e pobre. Incrementando os valores fundamentais que nos regem tais como a verdade, a liberdade responsável, a solidariedade, o respeito pela dignidade humana e fazendo da palavra escrita um instrumento de progresso e não de utensílio de alienação.
Comemoramos o 93º aniversário num clima económico pouco animado, à espera de uma retoma que parece adiada de ano para ano. Não deve ser este o motivo para não deixar de alimentarmos grandes sonhos que desejamos ver realizados. Projectos não faltam e a coragem não nos abandona. Esperamos o tempo apropriado. Que um dia com toda a certeza chegará.
A concorrência do sector obriga-nos ao aguçar do engenho para não perdermos a velocidade exigida. Os leitores de hoje são cada vez mais exigentes. E isso é um bem para não ficarmos parados. Os meios é que podem não ajudar como desejaríamos.
Consola-nos que a procura da leitura da imprensa regional cresce. A Internet pode potenciar ainda mais o aumento de leitores da imprensa escrita. Trata-se de um sinal que nos anima a seguir em frente.
O Bareme Imprensa Regional da Marktest de 2005 demonstra a força desta imprensa. Em 2003, 50,9 por cento dos 4,5 milhões de residentes em Portugal continental com 15 e mais anos dizem ler ou folhear jornais regionais, uma percentagem que aumenta para os 51,4 por cento em 2004 e para os 54,3 por cento em 2005. A Região Centro ocupa um lugar preponderante.
Os residentes no distrito de Coimbra são os que apresentam o valor mais elevado da taxa de leitura. Assim 76,2 por cento costumam ler ou folhear jornais regionais. Depois de Coimbra, é o distrito de Castelo Branco que evidencia valores mais elevados com 73,4 por cento. A alta percentagem de leitores no nosso distrito dá-nos mais responsabilidades no trabalho que nos compete. E também é um elemento estimulante.
O NOTÍCIAS DA COVILHÃ pretende projectar a cidade que lhe dá o título e a Cova da Beira onde geograficamente se insere. E mesmo a Beira Interior de que faz parte.
Num balanço geral, podemos afirmar que os objectivos de promover a Covilhã e a Serra da Estrela se têm cumprido. Como da Cova da Beira e de toda a área da Serra. Em prioridade, no eixo Guarda-Covilhã-Fundão-Castelo Branco.
A nossa matriz centra-se nos critérios cristãos que nos levam a assumir todas “angústias, tristezas e alegrias” do homem moderno. Na expressão feliz do teólogo alemão Karl Rahner, “levamos a Bíblia na mão direita e o jornal na mão esquerda”.
Um jornal é o espelho e o intérprete da realidade. Por isso, o seu conteúdo pode não agradar a todos. Mas o jornalismo são retratos da vida.
Segundo uma fórmula consagrada, “queremos dizer sem ferir, mostrar sem chocar, testemunhar sem agredir, denunciar sem condenar”.
Eis o caminho que vamos prosseguir a bem dos leitores, nossa razão de existir.