A nova escola vai ser dirigida por Marília Raimundo
Instituto Politécnico
Guarda tem nova escola profissional

A infra-estrutura, dirigida pela ex-governadora civil Marília Raimundo, entra em funcionamento no próximo ano lectivo.


NC/Urbi et Orbi


Uma nova escola profissional dirigida pela ex-governadora civil Marília Raimundo vai começar a funcionar no próximo ano lectivo em instalações cedidas pelo Instituto Politécnico da Guarda através de um protocolo. O novo estabelecimento de ensino, que arranca com um total de três turmas e 60 alunos, vai ter cursos de Multimédia, Gestão de Equipamentos Informático s e Serviços Jurídicos, é propriedade da ENSIGUARDA e prevê vir a receber 260 alunos dentro de dois anos. O projecto é apoiado por verbas do Programa Operacional Regional do Centro.
Na apresentação da instituição de ensino, realizada na passada semana, na sala da Assembleia Municipal da Guarda, Marília Raimundo explicou que a nova escola vai ministrar cursos de três anos - já aprovados pelo Ministério da Educação - que permitem obter um Diploma de Qualificação Profissional de Nível III e um certificado de equivalência ao 12º ano de escolaridade, que possibilita a candidatura ao Ensino Superior.
A ENSIGUARDA Escola Profissional Lda., é uma sociedade por quotas, com o capital de 50 mil euros, que tem como sócios a Câmara da Guarda, a Associação Comercial da cidade e a Associação de Beneficência Augusto Gil.
A presidente da nova instituição, Marília Raimundo, foi secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário no primeiro Governo de Cavaco Silva, governadora civil da Guarda, dirigente Distrital do PSD e deputada à Assembleia da República pelo mesmo partido. Actualmente lidera a direcção da Associação de Beneficência Augusto Gil, um dos sócios da nova escola.
A escola que inicia a sua actividade com um corpo docente de duas dezenas de professores, aposta numa formação "vincadamente prática, especializada e profissionalizante", refere a mesma responsável. "Pretendemos criar uma escola profissional aberta e virada para o exterior. Queremos um ensino de excelência, um projecto que se considere de fundamental relevância para o desenvolvimento da região", diz.
O presidente da Câmara Municipal da Guarda, Joaquim Valente (PS), sublinha que, "a partir de agora, a Guarda deixa de ter essa triste distinção que era ser a única capital de distrito sem um único estabelecimento de ensino vocacionado para o ensino técnico e profissional".
No ano lectivo de 2006/2007 a escola funcionará com um total de 60 alunos, mas pelas contas dos promotores, em 2007/2008 terá 160 e no ano lectivo de 2008/2009 deverá ser frequentada por 260 estudantes. A nova escola destina-se a alunos que possuam o nono ano de escolaridade, que poderão inscrever-se entre 01 e 30 de Junho.
Na conferência de Imprensa de apresentação do projecto, quando confrontada com o facto da escola ir funcionar no IPG, que foi dirigido pelo seu marido, Marília Raimundo considerou que isso "pode revelar-se muito bom" para o Instituto, "se os alunos lá quiserem prosseguir os seus estudos" superiores. João Raimundo foi presidente do IPG, funções que desempenhava quando em Novembro de 1994 foi acusado do crime de "terrorismo na forma tentada", tendo estado cerca de um ano em prisão preventiva. Nesse processo, que ficou conhecido por "Caso da Lista Negra", julgado na Covilhã em 1995, João Raimundo foi ilibado do crime de "terrorismo", mas condenado pelo crime de "ofensas corporais com dolo de perigo na forma tentada". No entanto, em Janeiro de 1999 o Supremo Tribunal de Justiça declarou a nulidade de todo o processo a partir da acusação e o julgamento foi repetido no Tribunal da Guarda que, em Julho de 2002, absolveu Raimundo do crime de que estava acusado. João Raimundo era acusado de ser o mentor da "lista negra" de um "plano de vingança" onde figuravam pessoas, entre elas um juiz e um advogado da Guarda. O caso surgiu quando um homem, alegadamente contactado para executar o plano, o denunciou publicamente.