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Jornal Online da UBI, da Região e do RestoDirectora: Anabela Gradim |
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Esperança de um regresso
Andreia Guerra e Mafalda Dinis e Cândida Braga Coelho e Andreia Marques · ter?a, 9 de fevereiro de 2010 · A família Kostadinov viu-se obrigada a deixar o seu país e encontrar um novo sentido para as suas vidas. Por falta de trabalho, de dinheiro e de comer, rumaram a Portugal em busca de sustento. Um dia, quando regressarem à Bulgária , esperam realizar os sonhos que os trouxeram para Almendra. |
O olhar de esperança de Sebastião |
22087 visitas Numa pequena vila do concelho de Vila Nova de Foz Côa vive uma família de origem búlgara que, por circunstâncias da vida, deixou a sua terra natal à procura de uma vida melhor. Almendra é o nome da vila que os acolheu, uma localidade repleta de história e antepassados. A família Kostadinov é constituída por seis pessoas, Carlos, de 45 anos, e Maria, de 40 anos, são os patriarcas da família. O filho Sebastião, com 20 anos, é casado com Joana de 19 anos, um casamento que dura há dois anos e do qual nasceu Carlos de sete meses. Irene é a filha mais nova do casal, tem 16 anos e passa os seus dias em casa a cuidar do seu sobrinho. O que os trouxe a Portugal foi a falta de trabalho e de estabilidade social em Sófia, cidade búlgara de onde são naturais. Castelo Melhor foi a primeira aldeia onde viveram, mas apenas durante alguns meses. Depois, uma proposta de trabalho levou-os a optar por Almendra, fazendo das terras desta vila o seu ganha-pão. Há dois anos trabalham para a empresa CARM, que detém a maior parte dos terrenos agrícolas. empresa emprega 20 trabalhadores, onde se incluem, Carlos, Sebastião e Joana. José Magalhães ou “Ti Zé das vinhas", como é mais conhecido, é o encarregado geral da empresa CARM. A seu cargo está a responsabilidade de gerir o trabalho das quintas. Ti Zé convidou pessoalmente a família para trabalhar na CARM, após os ter chamado para alguns dias de trabalho. O responsável pelos trabalhadores diz ter convidado a família porque “são pessoas honestas e trabalhadoras”. Cristina e Daniel residem em Almendra e trabalham há um ano com Carlos e Joana com quem mantêm uma relação de amizade. “São boas pessoas e o convívio com eles é óptimo”, afirma Cristina. Durante o longo dia de trabalho, Cristina e Daniel são confidentes e ouvintes de experiências passadas na Bulgária. Joana tem com Cristina uma relação especial e trocam muitas vezes recordações sobre a sua infância. Este jovem casal é uma ajuda fundamental na adaptação dos imigrantes búlgaros à língua portuguesa. Manda a tradição búlgara que o filho homem mais velho deve dar parte do seu ordenado aos progenitores, por isso Carlos envia todos os meses parte do seu salário para o seu pai, de 80 anos, que reside na Bulgária. Sebastião, também em Portugal, segue o mesmo costume. Joana afirma que são poucas as vezes que vão à Bulgária durante o ano, pois as viagens são dispendiosas e cansativas: são oito dias de viagem, ida e volta. O sonho é voltarem definitivamente, mas antes precisam de juntar dinheiro para construírem uma casa na Bulgária. O jovem casal Joana e Sebastião vive há três anos em Portugal e há um ano regressaram à Bulgária para casar. Numa pequena casa alugada por 200 euros, onde as divisões são separadas por cortinas, a sala onde fazem as suas refeições está junta com um quarto por onde entra o ar gelado vindo de uma janela partida. Apenas um aquecedor dá calor a toda a casa, com paredes finas e chão de madeira. O mobiliário é pouco, e na hora das refeições surge uma mesa improvisada guardada por baixo da cama. São 20 horas e em casa prepara-se o jantar para toda a família. A noite já caiu e Sebastião ainda não regressou de um longo dia de trabalho. Chegou a notícia de que só voltará por volta das duas ou três da manhã, pois é uma época de muito trabalho, e todas as horas são aproveitadas para amealhar mais um pouco de dinheiro. A sua mulher, Joana, prepara-lhe uma sanduíche tradicional da Bulgária, pois, ele está prestes a chegar para levar o jantar e regressar ao trabalho. O pouco tempo que vem a casa é aproveitado para brincar com o filho, uns segundos que lhe arrancam um sorriso do rosto cansado. Joana não quer que o filho tenha a mesma vida que ela, para isso o jovem casal trabalha dia e noite para lhe proporcionar uma vida que eles não tiveram oportunidade de ter. Deseja que o filho passe por todas as fases de aprendizagem, da creche até ao Ensino Superior. A jovem gostava de tirar um curso superior, mas depois de casada tornou-se impossível, pois é tradição de família que depois de casada, a mulher dedica-se ao lar. Lúcia, a filha mais velha de Carlos e Maria e Jorge, genro do casal, juntam-se ao resto da família para passarem o domingo, um dia que é vivido em família, todos se reúnem para jantar e conviver depois de uma semana de trabalho duro. É neste momento que numa pequena mesa que só dá lugar para quatro se sentam oito pessoas. Nestes convívios, por vezes, acontecem festas em que aproveitam para dançar e cantar. No fim da noite, a sala converte-se novamente no pequeno quarto onde Maria e Carlos dormem e sonham com o dia do regresso à Bulgária.
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