Um grupo têxtil de Matosinhos prepara-se para reabrir a Gartêxtil. Contudo, só 60 trabalhadores vão regressar aos teares
Empresa do Norte interessada em apenas 60 operários
Gartêxtil volta a trabalhar em Setembro

Um grupo empresarial de Matosinhos aposta forte na viabilização da Gartêxtil. No entanto, a ser possivel a reabertura, apenas 60 trabalhadores vão voltar a laborar. O Sindicato Têxtil da Beira Baixa diz desconhecer qualquer intenção nesse sentido.


NC/Urbi et Orbi


A Gartêxtil vai recomeçar a laboração já em Setembro. Tudo porque a empresa de confecções é alvo do interesse de um grupo têxtil de Matosinhos, a Texpert Grupo. A firma, em colaboração com o Instituto de Apoio a Pequenas e Médias Empresas (IAPMEI), decidiu apostar na recuperação e a aquisição da empresa guardense terá sido feita através de uma compra simbólica, assumindo o passivo existente.
Depois de três meses de encerramento e das queixas dos trabalhadores em relação ao "abandono por parte dos dirigentes", a Gartêxtil vê agora "uma luz ao fundo do tunel". No entanto, nem todas as trabalhadoras, que se encontram actualmente inscritas no Centro de Emprego, poderão voltar ao serviço. Isto porque a Texpert só pretende contratar 60 dos antigos 200 funcionários, que vão trabalhar na linha de calças, sendo que o crescimento da empresa só será possível dentro de um ano, altura em que a empresa nortenha pretende aumentar o número para 150.
No entanto, o dirigente do Sindicato Têxtil da Beira Alta mostra-se indignado com o facto de nem a entidade sindical nem os trabalhadores terem conhecimento de qualquer intenção de viabilização da Gartêxtil. Segundo Carlos João "existe falta de diálogo e este é um mau princípio para reabir a estrutura". "Os operários parecem não ser o mais importante neste processo, pois ninguém foi contactado", queixa-se Carlos João. Além disso, o dirigente sindical afirma: "Possivelmente, o empresário interessado na recuperação está a esquecer que os trabalhadores só voltam a laborar se lhes forem pagos os salários em atraso e as indemnizações. Por outro lado, diz-se que vão ser empregadas 60 pessoas, mas ninguém pode esquecer os que ficam de fora". Carlos João assegura que prefere ver a Gartêxtil aberta com este número de trabalhadores, em vez do encerramento definitivo. Porém, o responsável pelo Sindicato tece críticas à actuação política, especialmente aos deputados na Assembleia da República, eleitos pelo distrito da Guarda. "Nem a deputada do PSD, Ana Manso, nem os deputados socialistas, Pina Moura e Fernando Cabral, nos voltaram a contactar para resolver a questão".
Já da parte do IAPMEI apenas foi dito que "as negociações continuam a decorrer no sentido da reabertura da Gartêxtil, pelo que não pode ser fornecida qualquer outra informação". Também da parte do investidor nortenho desconhece-se qualquer pormenor, por forma a saber alguma coisa sobre as condições de reabertura, critérios de selecção dos trabalhadores e se irão ou não ser efectuados os respectivos pagamentos.
O aparecimento deste grupo investidor foi revelado pela presidente da Câmara da Guarda, na sessão do executivo, no dia 21, quarta-feira. Maria do Carmo Borges no entanto, não se mostrou totalmente satisfeita com tal intenção. "É o acordo possível para já. Não é uma satisfação total, porque sei que, nos primeiros tempos, não irão ali estar todos os trabalhadores daquela casa. Mas, para já, é bom que a fábrica reabra", considera a autarca guardense, acreditando que "dentro de algum tempo toda a gente possa ser readmitida".