Cerca de duas dezenas de sócios compareceram à Assembleia Geral
Sócios da "Mutualista Covilhanense" aprovam contrato de leasing
Unânimes pela sobrevivência

A impossibilidade de garantir o pagamento de dívidas pendentes à banca levou a associação de socorros mútuos da Covilhã a aceitar um contrato de leasing a 15 anos.


Por Daniel Sousa e Silva


"A Mutualista Covilhanense só pode dispensar cerca de 1500 euros por mês para pagar as dívidas, por isso o contrato de leasing a 15 anos com a Caixa Geral de Depósitos (CGD) é o único nos livra da falência", diz Ramiro Reis , presidente da direcção da Associação de Socorros Mútuos "Mutualista Covilhanense".
A Assembleia Geral de Sócios , decorrida na passada quarta feira, dia 21, decidiu ir para a frente com um contrato de leasing com a CGD após todas as outras instituições bancárias com balcão na Covilhã recusarem um empréstimo à instituição. As dívidas da "Mutualista Covilhanense" ascendem a um milhão e cem mil euros.
João Rato, um dos associados, lamenta que esta seja a única opção da "Mutualista Covilhanense". "É a única forma de salvar a associação, mas, de certa forma, está-se a hipotecar as futuras direcções com um fardo muito pesado", argumenta João Rato. Na opinião deste associado, "no futuro, esta dívida vai ser motivo para afastar possíveis candidatos à direcção".
A actual direcção da "Mutualista Covilhanense" acredita ser possível garantir todos os pagamentos. Ramiro Reis assegura que "a procura do Centro de Dia é bastante elevada e está-se a tentar providenciar as condições para que brevemente se possa acolher diariamente um número acrescido de idosos". Um objectivo da associação é o aumento do número de camas disponíveis. Neste momento, a instituição tem ao seu dispor 40 camas, mas o presidente da direcção espera "a inclusão, nos próximos anos , de até mais 30 camas".
Uma outra esperança de Ramiro Reis é a aprovação de um pedido de subsídio ao Ministro da Solidariedade e Segurança Social, Bagão Félix. "A verba a atribuir pode rondar os 100 mil euros", declara Ramiro Reis.

Obras não executadas, mas cobradas

A "Mutualista Covilhanense" está em litígio com a empresa de construção das novas instalações na Rua Capitão João D'Almeida, uma vez que para Ramiro Reis se verificam "várias irregularidades na construção do edifício". Como exemplos, aponta a existência de humidade em muitas paredes em pleno Verão e uma entrada de ar condicionado defeituosa. Por isto e outras irregularidades nas contas encontradas pela direcção de Ramiro Reis foi pedida uma inspecção da Segurança Social. Ramiro Reisafirma que "há muita coisa que não bate certo na direcção de Carlos Mineiro", anterior presidente da direcção da Associação de Socorros Mútuos "Mutualista Covilhanense".
Ramiro Reis encontra também problemas na cobrança de serviços à instituição. "Houve dois empreiteiros que fizeram cobrança de obras nas novas instalações que nunca foram realizadas". O presidente atesta a impossibilidade de tais obras, pois só havia contrato com uma empresa de construção.