Por Eduardo Alves


Os estudos prévios são bastante importantes antes de qualquer escavação

Steven Spielberg perdeu dois grandes assessores para a série de filme “Indiana Jones”. Michael Josef Mathias e Martin Höck são dois docentes do departamento de Engenharia Civil e Arquitectura, responsáveis pelo CEPP. Para além da Alemanha, como pátria-mãe, os dois docentes têm também em comum o gosto pela arqueologia e preservação do património.
No gabinete onde funciona o centro de estudos não está pendurado nenhum chapéu abaulado, nem um chicote de pele, muito menos, pontuam pelas mesas relíquias e artefactos achados em vários pontos do planeta e cujo resgate podia resultar no guião de um filme. A imagem criada por Steven Spielberg, “nada tem a ver com o verdadeiro arqueólogo”, explica Michael Mathias.
A chegada a Portugal coincide com os primeiros passos da UBI. Na Covilhã é imperativa a criação de “um organismo que conseguisse preservar todo o espólio existente nas instalações da Universidade”. Surge assim o Centro de Estudos e Protecção do Património (CEPP). Um dos primeiros trabalhos deste centro, constituído pelos dois professores germânicos, “foi a recuperação do Museu de Lanifícios”. As actuais instalações, junto à parada, foram recuperadas “após um processo de estudo e levantamento do espólio ali existente”. Para além de estarem integrados no Departamento de Engenharia Civil, onde leccionam algumas cadeiras, estes docentes levam a cabo vários estudos e escavações, um pouco por todo o País.




Preservar a história de um povo

Desde as gravuras do Côa, passando por algumas quintas de família Ramos Pinto, ligada ao vinho do Porto e terminando em escavações nas ilhas de Cabo Verde, estes Indiana Jones à portuguesa já fizeram de tudo um pouco. Os mapas de várias localidades e os muitos livros de história dão corpo ao Centro de Protecção. Michael Mathias explica que “tudo começa pelo estudo e pelo licenciamento das escavações ou projectos”. Gastas muitas horas de busca e pesquisa “feitas em bibliotecas e outros institutos”, os exploradores avançam para o terreno.
As aventuras cinematográficas são trocadas “pelo sorriso das pessoas”, sublinha o docente. Pelas palavras dos responsáveis do CEPP percebe-se que “o verdadeiro tesouro é a devolução de um monumento, de uma fonte, de uma casa ou peça à sua população”. A história do povo e toda a sua cultura “deram forma a tudo o que exploramos”. Michael Matias diz que gosta de recuperar os edifícios para os devolver ao povo que os construiu. Para este docente “quando um edifício está esquecido ou é apenas ruínas, não lhe é dado o verdadeiro valor”. Só depois de estar restaurado “é que as pessoas compreendem a importância dos imóveis ou dos achados”, acrescenta.
Vai longa a lista de trabalhos realizados pelo CEPP, desde a capela de São Martinho, da Reitoria, dos vários pólos do Museu de Lanifícios e outras explorações como o Centro rupestre do Vale do Côa ou a recuperação do castro de Castelo Melhor são muitos os trabalhos destes dois arqueólogos.

Covilhã tem papel central

A localiazação central da Covilhã "só traz vantagens"

As aventuras parecem não ter fim no grande écran. Também no gabinete do CEPP, os mapas, pergaminhos, livros e manuscritos deixam sinais que vão conduzir a novos achados. Todo um trabalho que leva tempo “e burocracia”. Contudo, Matias refere que “é essencial dar conhecimento de todos os trabalhos arqueológicos”. O docente refere que “é mais vantajoso e económico dar conhecimento às entidades competentes (IPA ou IPPAR) da realização de uma obra, do que sonegar essa informação e depois a empreitada ser embargada”.
Este responsável pelo Centro de estudos e Protecção do Património chega mesmo a sublinhar o papel central que a Covilhã ocupa. Para Michael Matias, “a cidade está num ponto central”. Com a delegação do IPPAR aqui, “os técnicos já não demoram, com a desculpa de terem de vir de Coimbra ou de Lisboa”. Uma localização que ganha ainda mais destaque “pela grande quantidade e qualidade de espólio existente nesta região”.