Rui Miguel*

Ensino Superior Têxtil


Uma das confirmações da última Conferência da AUTEX foi a discussão mundial sobre as orientações a dar ao ensino superior têxtil. A discussão centra-se no desenho dos cursos, tendo em consideração as necessidades da indústria, a investigação, a captação de alunos e os novos conceitos de ensino/aprendizagem subjacentes ao processo de Bolonha. De tal forma são complexas as reformas a operar, que se constata não haver unanimidade nas propostas.
Num ponto as opiniões convergem: não há mais lugar para a formação clássica. Cada vez mais as áreas têxtil e vestuário se cruzam com outras áreas científicas e/ou tecnológicas, como a química, a mecânica, a informática, a electrónica, as telecomunicações, a saúde, a biotecnologia, o marketing, a logística, etc.. Actualmente, perante as necessidades que se colocam à indústria têxtil e do vestuário: domínios das altas tecnologias produtivas, da ciência dos materiais e dos mercados exigentes e sofisticados, conducentes ao desenvolvimento e comercialização de produtos inovadores com elevado valor acrescentado, não faz sentido as ciência e tecnologia têxteis serem tratadas de uma forma isolada das outras.
Os consumidores informados e com poder de compra exigem produtos têxteis que, para além da imagem de marca e de moda, sejam amigáveis e funcionais, ou seja, que desempenhem a função para a qual foram concebidos de uma forma confortável e ecologicamente sustentável. Estas posturas do mundo moderno permitem a diferenciação e personalização dos produtos têxteis, distanciando algumas gamas dos produtos de série, mas exigem engenheiros, designers e gestores com formação elevada e multidisciplinar.
Perante este cenário, cada vez faz mais sentido que as formações têxteis, de engenharia, de design e de gestão (marketing), se façam em cursos de especialização, 2º ciclo de Bolonha, na sequência de formações iniciais de banda larga (1º ciclo) preenchidas com disciplinas de ciências de base, de ciências da área científica, de áreas complementares e de opção. Estas disciplinas de opção permitem uma primeira abordagem da área de especialização e, também, a complementaridade de formação pessoal em qualquer outra área.
Os cursos de especialização, 2º ciclo, devem promover o reforço de competências nos campos da especialização, da complementaridade de formação e da investigação, através de disciplinas de ciências da área científica, de ciências da especialidade e de áreas complementares e de opção.

*
Presidente do Departamento de Ciências e Tecnologia Têxtil da UBI