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Jornal Online da UBI, da Região e do RestoDirectora: Anabela Gradim |
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Abordagem sociológica acerca das novas tecnologias
Diogo Caldas e Paulo Rocha e André Duarte e Rui Ferreira (enviado especial a Roma) e Daniela Teixeira (enviada especial a Roma) · quarta, 31 de mar?o de 2010 · Continuado
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Professora de sociologia da UBI, Maria João Simões, dá a sua perspectiva sociológica sobre as novas tecnologias |
22103 visitas As novas tecnologias da comunicação vieram alterar as formas de interacção social entre os indivíduos. Meios como o telefone, fax ou mesmo o telegrama, que há alguns anos eram muito usados, foram substituídos por várias aplicações da Internet, como refere Maria João Simões, professora de Sociologia na UBI. “Com a Internet as interacções são mais sistemáticas” e se tal se verifica com muita frequência “abandona completamente o tipo de relações baseadas na co-presença” o que é prejudicial para a formulação das próprias relações sociais, diz. A professora destaca que existem autores com opiniões favoráveis às alterações que a Internet veio provocar, referindo que as relações podem ser fortalecidas, mesmo as já existentes. Os nossos interesses pessoais em certas áreas podem não corresponder aos interesses dos indivíduos do nosso meio social, referindo-nos aqui à co-presença, e com a Internet podemos encontrar pessoas com quem partilhar tais interesses comuns, “ampliando significativamente a capacidade que nós temos de estabelecer relações com outros “, refere Maria João Simões. Porém, “esta interacção mediada por computador vai substituir a presencial”, conclui. A professora explica que neste campo as variáveis são relativas, visto dependerem do uso individual que as pessoas fazem da Internet. Ela pode ser usada para fins benéficos, mas também se pode revelar perigosa tanto para os mais jovens como para os mais velhos, que ao desconhecerem o seu uso correcto , e não sabendo com quem interagem, facilmente “entram em teias perigosas e ameaçadoras”. O trabalho é outro dos campos em que as novas tecnologias têm uma forte influência. Maria João Simões afirma que as tecnologiaspermitiram uma maior viabilidade do trabalho em equipa: “mesmo que as pessoas não estejam na mesma localidade, podem fazer o trabalho em equipa”. Apesar de alertar para o facto de que esta forma de trabalhar não substituir a relação em presença, lembra o facto de as pessoas terem necessidade contactar pessoalmente uns com os outros. A identidade é algo individual, ou seja, próprio de cada individuo, a qual é criada em “ função do contexto em que vivemos, da nossa trajectória” explica a professora Maria João Simões. No ciberespaço, os indivíduos podem criar uma outra identidade diferente daquela que é a deles no mundo real, através da adulteração das características próprias, gerando deste modo uma identidade fictícia ou “online”, refere Maria João Simões. Os problemas que daí advêm, nomeadamente o anonimato, pode levar os indivíduos a perpetuarem abusos, utilizando a sua identidade “online”. A professora defende que criação de uma identidade no ciberespaço “acaba sempre por ter mais marcas da identidade real”, logo a identidade criada nunca é totalmente nova, porque ambas as identidades têm comum o seu criador, que é a mesma pessoa, e desse modo existem sempre características que prevalecem nas duas realidades distintas.Posto isto, Maria João Simões conclui que o “contexto das tecnologias ajuda a reformular as nossas identidades”. O acesso à internet é uma questão de debate, no sentido que o acesso permite o contacto com a mais variada informação, a qual nem sempre é benéfica para o ser humano. Em primeira instância, Maria João Simões defende que existem desigualdades, as quais são necessárias ter-se em conta, porque os públicos são segmentados. A existência de Internet, tal como dos aparelhos que a ela permitem o acesso, são uma “miragem” em muitos países. As desigualdades também são uma realidade no âmbito do dito “acesso”, defendendo que ter acesso não é só ter o meio tecnológico para usufruir da Internet, mas diz respeito aos usos díspares que a Internet permite. Maria João Simões finaliza afirmando que a informação está disponível e depende de nós a escolha da boa ou da má informação, masescolha é relativa pois depende das condições socio-económicas dos indivíduos. Face a isto, defende que as políticas europeias devem ser no sentido das desigualdades existentes ao nível do uso deste meio. <voltar> |