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Jornal Online da UBI, da Região e do RestoDirectora: Anabela Gradim |
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Admirável mundo novo
Diogo Caldas e Paulo Rocha e André Duarte e Rui Ferreira (enviado especial a Roma) e Daniela Teixeira (enviada especial a Roma) · quarta, 31 de mar?o de 2010 · I-Phone, You are, E-Reader, Wii Feet, You Are, They are. Não, esta não é a nova conjugação do verbo ser em inglês, mas bem que pode ser a conjugação de qualquer pessoa que esteja ligada às novas tecnologias. Resta saber o seu real valor utilitário e qual a opinião de quem usa e de quem estuda estes aparelhos revolucionários no modo de viver o dia-a-dia. |
As novas tecnologias "giram" em volta da internet |
22109 visitas Alguma vez os cidadãos se imaginaram a transportar a quantidade de livros que quisessem sem que isso pesasse mais que 300 gramas? Ou aceder à Internet em qualquer ponto do mundo com um telemóvel, sem que isso prejudique as suas potencialidades? Ou até mesmo jogar ténis dentro de casa? O que há umas décadas era apenas imaginação, actualmente é uma realidade e estas coisas já podem ser feitas por qualquer pessoa, com as mais recentes tecnologias que prometem revolucionar o mundo do trabalho e do entretenimento. Cristina Sousa nunca gostou de consolas… até ter a Nintendo Wii. O aparelho de entretenimento que agora lhe ocupar o tempo parece ser muito mais que uma simples consola. De facto, o que mais surpreendeu a estudante universitária foi a capacidade que a Nintendo Wii tem de reconhecer os movimentos dos utilizadores. Mas Cristina apercebeu-se de que a consola diz muito mais sobre ela do que aquilo que esperava: para o aparelho, ela tem 34 anos, mais 14 que os seus verdadeiros 20 anos de idade. Algo parece estar mal, ou talvez não. Segundo o Wii Feet Plus, uma das aplicações da consola, a Cristina precisa de fazer mais exercício físico. Não foi uma novidade que gostasse de saber, mas acaba por reconhecer que não fez exercício suficiente. Esta aplicação para a consola não só detecta os seus utilizadores, transformando-os mesmo em bonecos 3D, como avalia a sua condição física e detecta, durante os jogos, os movimentos da pessoa “transportando-os” para o boneco. E, claro, a consola permite fazer exercício físico de forma muito mais divertida. Enquanto joga, Cristina distrai-se dos seus estudos de Medicina e ainda queima calorias. A estudante considera a consola uma boa forma de divertimento e até de reunir as pessoas, explicando que “os amigos se juntam para um jantar e ficam em casa a divertirem-se com os jogos”. Excluindo a possibilidade de isolamento, Cristina põe de parte também a exclusão por idades, pois a sua avó também já tem um avatar 3D na sua consola. Também Sofia Castro é utilizadora assídua da Nintendo Wii. E tal como a Cristina, Sofia utiliza as potencialidades da consola como forma de “passar o tempo livre”. Mostrando-se céptica, em relação ao isolamento das pessoas em casa, Sofia não substitui o ar livre pela consola. Para a utilizadora, esta é “sem dúvida uma maneira de juntar as pessoas: podemos competir contra elas e através da Internet até com pessoas do outro lado do mundo”. Mas quanto ao exercício físico e imaginando-se perante um cenário de chuva, a estudante já admite as potencialidades da máquina como “ideal para manter a forma”, destacando também que pessoas “sem tempo podem exercitar-se em casa”. Como pode esta nova forma de entretenimento mudar o dia-a-dia de uma pessoa? Para Cristina Sousa mudou, pois admite que com a Nintendo Wii encontrou uma “forma perfeita de reduzir o stress”, admitindo que faz agora “muito mais exercício em casa, em vez de ir ao ginásio e passa mais tempo com a família”, divertindo-se com o pai e a mãe. A única coisa que a estudante considera insubstituível é o ar puro da rua. Mesmo assim, destaca já a “possibilidade de substituir a realidade”. Por seu lado, Sofia Castro teme que de certo modo o futuro possa passar pela “virtualização” da realidade, situação que lamenta, pois considera que a consola não deve ser mais que uma “forma de aliviar o stress e a tensão acumulada ao longo do dia”. E não é que em 40 minutos de demonstração da sua consola a Cristina perdeu 60 calorias? Se as estudantes Cristina e Sofia utilizam as novas tecnologias para se divertem, já outros utilizam-nas para trabalhar. António Fidalgo, professor universitário na Universidade da Beira Interior precisa de aceder à Internet, e nada melhor que um i-Phone para trocar emails com pessoas de todo o mundo a qualquer altura. Também deve ser do imaginário de qualquer amante de livros poder levar a quantidade que quiser para todo o lado. O Sony Reader é caracterizado por António Fidalgo como uma “biblioteca ambulante”. Graças à e-tinta, a leitura assemelha-se a um livro real, não cansando a vista da mesma maneira que os habituais monitores o fazem. Para o professor universitário, estas novas tecnologias permitem “tornar o quotidiano mais organizado, conectável e leve”. António Fidalgo destaca o telemóvel como um meio que vai mudar definitivamente a forma de trabalhar. “Os telemóveis serão o principal meio de comunicação do futuro, pois serão a fonte de informação, seja pessoal seja jornalística”, afirma o professor, adiantando que com a Internet móvel o telemóvel “tornar-se-á um dispositivo tão essencial como um par de sapatos”. É então possível, actualmente, levar para todo o lado a quantidade de livros que uma pessoa deseje, sem o incómodo do peso, assim como aceder à Internet praticamente de qualquer ponto do globo, bem como trocar emails, sincronizar a agenda e as mensagens no computador. Estas são funções que poderão ser essenciais para os negócios ou para a cultura, por exemplo. Numa altura em que a Internet está tão presente na vida das pessoas, poder tê-la praticamente em todo o lado acelera certamente uma “dependência” que já se faz sentir. No entanto, nem tudo é positivo nas novas tecnologias e, no caso dos i-Phones, pecam por “falta de conectividade aos computadores”, como afirma António Fidalgo. Livro que é livro é para ser emprestado e para o professor universitário essa é a principal desvantagem do Sony Reader pois não permite “emprestar” (passar para outros dispositivos) os livros comprados. Mas até que ponto estas novas tecnologias apenas trazem vantagem para o dia-a-dia da população? Ao alterarem definitivamente a maneira de viver e de comunicar, torna-se necessário tentar perceber o que isso pode implicar. Para Maria João Simões, professora da UBI e socióloga, a Internet trouxe a utilização casual da comunicação mediada, ou seja, sem contacto presencial, mas através de uma tecnologia. Grande parte da população utiliza a Internet todos os dias, quer seja para trabalhar, quer seja para criar relações sociais. Este facto pode fazer com que as pessoas “abandonem completamente o tipo de relações baseadas na co-presença”, afirma a socióloga, sendo esta uma situação importante na construção de interacções sociais. Mas esse cenário não é colocado por Maria João Simões, pois acredita que “nunca esta interacção mediada por computador vai substituir a presencial”. Do ponto de vista sociológico, as novas tecnologias permitem mudanças no campo do trabalho: “Mesmo que as pessoas não estejam na mesma localidade, podem fazer o trabalho em equipa”, afirma Maria José Simões. A professora da UBI acredita que ainda assim a relação em presença continuará a ser necessária. Se da perspectiva do trabalho as novas tecnologias parecem ter o seu papel definido, do ponto de vista da construção da identidade, principalmente nos mais novos, continua a ser uma área onde é necessários alguns cuidados. Não são poucos os casos de distúrbios da “geração Internet”, sendo este espaço muitas vezes, uma forma de refúgios dos adolescentes. A socióloga refere-se ao ciberespaço como “uma possibilidade de os indivíduos criarem outra identidade diferente da realidade”. Esta “nova” identidade poderá sempre ser perigosa pois pode ser confundida com a verdadeira, alerta Maria João Simões. Todas estas questões estão relacionadas com o “acesso” à Internet e principalmente ao uso que lhe é feito. Tal como noutros campos da sociologia, a professora universitária explica que dependerá sempre de “desigualdades quer de acesso quer de uso”. A verdade é que apesar de muito enraizada nas sociedades modernas, em muitos países isso não se sucede. O uso também é diferente pois muitos veêm a Internet como uma forma de aprendizagem, outros forma de entretenimento e outros, ainda, forma de negócio. De qualquer modo, o bom ou mau uso dependerá sempre “das condições socioeconómicas dos indivíduos”, conforme afirma Maria João Simões. As novas tecnologias que agora começam a tomar conta da vida das sociedades modernas serão certamente um tema de debate e de estudo ao longo dos próximos anos, conforme forem gerando alterações significativas. Pelo menos por agora, parecem ser mais a vantagens do que as desvantagens. A evolução tecnológica do mundo tem vindo a demonstrar que quase tudo é possível. Se há cerca de trazentos anos todo o tipo de maquinaria que surgia era algo extraordinário, o que diriam agora os que viveram nessa época? |
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